DEPOIMENTOS

                                       LEITURA E ESCRITA

Como diz o escritor Rubem Alves a leitura é um processo de transformação, lembro-me  que: Eu ainda muito criança quando morava numa fazenda próximo da cidade de Monte Alegre Estado do Rio de Janeiro, onde ia com os meus irmãos e meus pais a Igreja todos os domingos pela manhã e lá juntamente com outras crianças recitávamos versículo da bíblia, mais isso era feito através de   memorização (decorar),  eu ainda não tinha conhecimento algum de leitura e escrita, via minhas colegas mais velhas lendo, isto me fascinava e queria muito participar... A tia que cuidava de nós se chamava Vera Lucia ela lia histórias da bíblia para nós e eu ficava encantada, imaginando quando eu iria ler como ela... Participar do jogral e das peças nas datas comemorativas como  natal, dia das mães, era sempre uma alegria mesmo sendo decorado.  Quando fui para o colégio essa transformação aconteceu de forma normal como de comum para as crianças dessa idade, claro que tínhamos o apoio da cartilha caminho suave...mais confesso que a leitura me fascina mais que a escrita,nunca tive muita afinidade para escrever, e até hoje tenho um pouco de dificuldade em organizar as palavras e suas concordâncias.

ROSELI COSTA




            LEITURA E  ESCRITA

Olá pessoal!
A minha experiência foi traumática, pois minha professora da 3ª série saiu em licença gestante logo que as aulas começaram. Eu havia estudado a 1ª e a 2ª séries com ela.
Assim sendo, eu já estava acostumada com ela, sabia o que podia e o que não podia fazer e principalmente o que a deixava zangada. Ela também já me conhecia e nos entendíamos bem.
O trauma ocorreu quando a substituta chegou. Ela era uma fera. Olhe que horror, ela nos fazia escrever várias vezes o mesmo texto até que ficasse bom e isso não era tudo. Ela era tão ruim que sempre havia, no mínimo, uma vítima de nossa classe a ter aqueles horríveis recadinhos para a mãe no caderno. O resultado todo mundo sabe, mamãe ficava uma fera. E eu tinha que ficar de castigo. Até minhas notas que eram boas, ficaram ruins. Foi o pior início de ano escolar da minha vida.
Quando chegaram as férias, pareceu que renasci, pois eu estava tão ruim, tão ruim, que me sentia morta.
Acho que nunca gostei tanto das férias. Também, sofrendo como sofri nas mãos daquela megera. Só eu sei como foi boa aquela sensação de liberdade. Pena que as férias passaram muito rápido.
Na última noite de férias, demorei a dormir. Já estava apavorada com idéia de ver aquela professora novamente.
Eu me lembro que naquela manhã acordei assim que o relógio despertou, mas fiquei bem quietinha na cama. Torci para que minha mãe perdesse a hora, deste modo eu não teria que ir para a escola. Confesso que tentei fingir que estava com dor de barriga, depois com dor de cabeça, dor nas pernas, mas minha mãe não acreditou. Sabia que era mentira.
O caminho para escola pareceu mais curto.
Logo que cheguei a escola, foi para minha sala. Entrei e vi alguns de meus amiguinhos com o olhar preocupado. Descobri que não era a única que tinha medo daquela mulher muito ruim.
Aos poucos, todos chegaram. O comentário geral era sobre a professora má.
Nossa sala era a última do corredor e em certo momento alguém falou:
- a professora está vindo.
Todos se calaram no mesmo instante. Depois, ficamos felizes porque nossa professora boazinha tinha voltado. Eu me lembro que logo que ela  chegou a porta,  nos olhou como uma mãe que há muito não vê os queridos filhos. Não me contive e corri para abraçá-la. Puxa, foi maravilhoso! Depois de mim, fizeram uma fila para abraça-la. Mas eu fui a primeira.
Depois de algum tempo, quanto todos já a haviam cumprimentado, a aula começou. Não precisei mais escrever muitas vezes o mesmo texto, minha vontade de estudar e ir a escola voltaram, minhas notas subiram e ficaram boas como antes. Tudo ficou melhor.
Ainda bem que minha professora não precisou tirar outra licença! 

SANDRA APARECIDA

















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